Início Artigos Técnicos Conceitos básicos sobre certificação
Conceitos básicos sobre certificação PDF Imprimir E-mail
Ter, 17 de Dezembro de 2013 09:44

 


O conceito de certificação tem sido amplamente difundido no setor agropecuário. Isto demonstra que há demandas de mercado, evidenciando que está mais exigente e, frequentemente, busca informações sobre os produtos que está adquirindo. Muito desta demanda pode ser explicada pelos diversos escândalos alimentares, que são divulgados vastamente pela mídia. Pouco a pouco, nosso consumidor tem se demonstrado mais consciente e começa a exigir características e garantias de qualidade que antes nem sabia que existiam. O mercado interno brasileiro tem se alinhado, timidamente, a estes conceitos de garantia de qualidade e origem do alimento, mas isto demonstra um potencial a ser explorado.

 

No setor de alimentos, este comportamento tem sido crescente e ressaltado no cotidiano da população, em especial nos grandes centros. Como exemplo, a ampliação do consumo de produtos orgânicos, em especial as frutas e legumes, um produto que já foi largamente divulgado como saudável e livre pesticidas. Mas, como dar garantias que o que está descrito no produto é realmente o especificado?

 

Alguns critérios de qualidade podem ser aferidos no momento de aquisição do alimento, como as características visuais, textura ou mesmo o odor. Mas há outras tantas características que  não podem ser identificadas somente pela análise visual e imediata. Assim, para facilitar o julgamento pelo consumidor, e aumentar a confiança de que o produto, realmente, apresenta as características descritas pelo fabricante, foram criadas ferramentas de garantia da conformidade. Tais mecanismos avaliam e garantem que a especificação descrita é, de fato, cumprida. O mais conhecido, destes princípios de garantia da qualidade, é a certificação.

 

A certificação tem como base a confrontação de requisitos, que podem estar numa norma ou num regulamento, ou seja, em algum documento de referência, que descreve as especificações do produto ou do processo de produção. Esta metodologia é vastamente utilizada pela indústria, como, por exemplo, a automobilística, de aviação, de autopeças, de brinquedos, de eletrodomésticos, etc. E no setor de alimentos, esta garantia tem cada vez mais sido solicitada em âmbito mundial.

 

Em países como Itália, França ou Espanha os produtos alimentícios, que muitas vezes tem características particulares, são, de modo geral, comercializados com a certificação. Os consumidores exigem garantias do produto e não somente sobre os aspectos que podem ser identificados no momento da compra. Além de ser bonito, apresentar odor agradável e textura adequada e que tenham rastreabilidade e sanidade, os alimentos devem apresentar garantias como estar livre de resíduos e contaminações, algo que é difícil de ser identificado durante a seleção do alimento no momento da compra.

 

Outros requisitos, além dos relativos à qualidade e sanidade do alimento, estão sendo também solicitados. São os referentes ao processo de produção. Ou seja, como foi cultivado ou, no caso do animal, como este foi criado e processado. Não apenas para garantir a qualidade do produto, mas também, para garantir a qualidade do sistema produtivo. Assim, requisitos de bem estar animal, respeito ao meio ambiente e questões sociais, estão sendo demandados intensamente. Demonstrando que há necessidade de garantira a sustentabilidade em todas os seus vértices.

 

Para dar garantias de que o alimento apresente tais características há a certificação. Uma organização terceira, sem vínculo com quem vende ou com quem produz, avalia, sob os requisitos de uma norma, ou regulamento. Esta organização terceira chancela se estão, de fato, sendo cumpridas as especificações que dizem ter o produto. Esta organização, denominada de certificadora, emite um certificado de conformidade. O que pode proporcionar o uso de um selo no produto. A certificadora deve demonstrar ter capacidade para avaliar tais processos.

 

Para garantir que a certificadora tenha competência, para realizar a atividade designada, há uma entidade, denominada acreditadora, que audita a certificadora, e declara que a esta tem habilitação para a atividade que realiza. No Brasil, o organismo denominado acreditador é o Inmetro. Ele que tem o papel de avaliar e reconhecer a competência das certificadoras que afiançam o produto ou sistema auditado. No mesmo sentido, há um fórum internacional de acreditação, no qual os organismos acreditadores, de várias partes do mundo, são participantes, possibilitando, assim, reconhecimento mutuo entres as partes. Isto forma uma cadeia de confiança.

 

esquema_de_acreditao

 

Com foco nesta demanda internacional de garantia da qualidade dos alimentos, o Brasil tem iniciado alguns processos para podem garantir e competir no mercado, demonstrando a qualidade e a sanidade dos produtos agropecuários. A fruticultura já teve diversas normas brasileiras publicadas, as de produção integrada de frutas, conhecido como PIF.

 

Seguindo estes mesmos conceitos de produção integrada de frutas, outras cadeias já conceberam e validaram normas de certificação da produção integrada, que irão contemplar produtos como café, leite, batata, trigo, carnes (duas normas; uma suína e outra para bovina), arroz, feijão e várias outras que estão em fase de avaliação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para publicação. Com estas normas, logo o brasileiro já poderá começar o dia ingerindo seu café com leite certificado e ter, literalmente, seu feijão com arroz com garantias de qualidade do alimento e sustentabilidade do sistema de produção.
Última atualização em Ter, 17 de Dezembro de 2013 10:08
 


Another articles:

Powered By relatedArticle

CeresQualidade.com.br | Powered by Joomla!