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Saúde e segurança do trabalho devem ser prioridades no campo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrador   
Qua, 23 de Abril de 2014 20:27

Profissionais do setor agropecuário alertam para a importância da capacitação para o uso correto dos equipamentos de proteção individual e manuseio de medicamentos e máquinas.

 

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“A segurança do trabalhador rural é uma questão social. O não atendimento às exigências legais impacta diretamente na sociedade, quando há a perda precoce da vida de muitas pessoas ou as tornam inválidas para a atividade. Muitos trabalhadores se tornam pensionistas ou deixam de produzir, impactando o sistema de saúde e por isso, precisamos refletir sobre a saúde e a segurança do trabalho no campo”, explica Züge, que reforça que a maior parte dos acidentes é causada pelos tratores agrícolas com 65% dos casos, seguido pelas ocorrências com motosserra, 15%, pela picadora de cana com 10%, misturador de ração com 5% e a roçadora com 5%.

 

Visando contribuir para o bem estar do trabalhador no campo e diminuir as estatísticas de acidentes, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), dedica 10 a 20% da grade curricular de seus cursos para trabalhar a importância do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), saúde e a segurança do trabalho.

 

“Precisamos frisar o caráter preventivo dessas informações que são baseadas nas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho. Procuramos passar o conteúdo no começo do curso para que quando seja alcançada a etapa prática, os participantes já possam atuar de forma segura para replicar o conhecimento em seus ambientes de trabalho”, conta o Coordenador de Formação Profissional Rural do SENAR/MG, Luiz Ronílson Araújo Paiva.

 

A Norma Regulamentadora Nº 31 prevê a segurança e a saúde do trabalho para a agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura, e tem por objetivo estabelecer preceitos para o compatível planejamento e desenvolvimento das atividades nesses setores. A Norma define os deveres do empregador rural com os seus funcionários.

 

“A legislação determina que o contratante forneça todos os EPI’s necessários para o procedimento de seu seguimento. Ele deve garantir condições adequadas de trabalho, higiene e conforto, realizar avaliação dos riscos para a segurança e saúde de todos e adotar medidas de prevenção e proteção nos lugares de trabalho, máquinas, equipamentos e ferramentas. Todo estabelecimento rural deve estar equipado com material necessário de primeiros socorros também”, analisa a médica veterinária do SENAR/MG Marília Pereira.

 

Já a Norma Regulamentadora Nº 9 estabelece a implantação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), que deve ser acompanhado por um profissional habilitado para identificar os riscos nos quais os trabalhadores estão expostos e traçar um plano de ação que garanta a preservação da saúde e integridade de todos os envolvidos naquele ambiente. O produtor rural terá customizado de acordo com a sua realidade uma lista de quais são os equipamentos necessários para a realização das práticas em sua atividade.

 

“Muitos produtores fornecem os EPI’s necessários para atividades, mas nem sempre realizam o registro de entrega ou não fiscalizam o seu uso e deixam de oferecer os treinamentos necessários de utilização e manutenção dos equipamentos, que são ações obrigatórias. Por outro lado, a desobediência do uso de EPI pode ser motivo de demissão do funcionário, por justa causa. Legalmente, os trabalhadores devem ser treinados sistematicamente para as distintas atividades impactantes”, pondera Roberta Züge.

 

Previsto pela Norma Regulamentadora Nº 7, há também o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) que tem como objetivo monitorar por meio de exames laboratoriais e entrevista ‘anamnese’, os dados essenciais para a saúde dos trabalhadores de modo a identificar precocemente qualquer anomalia que possa comprometer a saúde deles.

 

“No campo os produtores estão expostos a diversas variáveis, como picadas de animais peçonhentos, descargas elétricas, acidentes devido ao mal uso das máquinas e equipamentos, entre outras coisas. Acompanhar a saúde do funcionário é essencial porque há também exposição ao sol, a agrotóxicos e ocorrências de problemas ortopédicos e de postura em função do esforço repetitivo. Agir preventivamente é primordial e deve-se incentivar que os trabalhadores rurais visitem os postos de saúde e tomem atitudes rotineiras como o uso do protetor solar. Precisamos preconizar  uma boa alimentação e ingestão de água de qualidade, uso de roupas adequadas como luvas, blusas de manga comprida e botas de borracha”, enfatiza a médica veterinária Marília Pereira.

 

De acordo com o engenheiro agrônomo do SENAR/MG Wander Moreira, os principais erros cometidos pelos produtores rurais estão relacionados à falta de instrução para o uso dos itens que compõem as atividades, como o uso dos maquinários e dos medicamentos agroveterinários. Os produtores devem receber instruções de aplicação, diluição, conservação e registros dos itens de sua farmácia, que são passadas por um profissional habilitado.

 

“Em máquinas como os tratores, por exemplo, a falta de conhecimento sobre a operação deles pode causar um capotamento lateral ou uma queimadura. O trator deve ter um arco de segurança e equipamentos de proteção como o protetor de cardã. O ideal seria que o fornecedor ao entregar a máquina pudesse passar as indicações de onde e como devem ser feitas as manutenções e até mesmo calibrações daquele equipamento”, avalia.

 

Os profissionais reforçam a importância do debate sobre a saúde e segurança do trabalho em eventos técnicos do setor agropecuário. “É extremamente importante que todas as ações que envolvam os agentes de informação para os produtores, abordem o tema. Muitos acidentes que acontecem no campo são fatais e a capacitação vai contribuir para a redução das ocorrências”, diz o Coordenador de Formação Profissional Rural do SENAR/MG, Luiz Ronílson Araújo Paiva.

 

Para a consultora e auditora Roberta Züge a discussão deve acontecer de forma mais abrangente. “Em algumas consultorias que realizo, percebo que este é um dos itens de maior desconhecimento e, consequentemente, descumprimento. Após uma explicação adequada, com a difusão de práticas necessárias, o atendimento aos requisitos trabalhistas legais fica bem mais fácil. Uma abordagem mais abrangente com os produtores é uma necessidade eminente”, conclui.

 

A saúde e a segurança do trabalho são tópicos importantes para a agenda do produtor. Por ano, 150 mil trabalhadores são expostos a agroquímicos, e destas ocorrências, três mil registram mortes. Profissionais do setor agropecuário alertam para a importância da capacitação para o uso correto dos equipamentos de proteção e manuseio de medicamentos e máquinas.

 

 

 

 

Última atualização em Seg, 05 de Maio de 2014 21:41
 


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