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Ter, 05 de Julho de 2016 09:21

Prêmio Impacto 2016: conheça o trabalho da finalista Roberta Zuge

 

Estamos na segunda fase de votações para o Prêmio Impacto MilkPoint 2016, que tem como objetivo valorizar profissionais que contribuem para a melhoria da atividade leiteira no Brasil.

 

Os 5 finalistas foram escolhidos entre 14 profissionais de destaque, por votação aberta no site. As votações da segunda etapa terminam no dia 15 de julho, às 9h00, e o vencedor será conhecido durante a cerimônia de abertura do Interleite Brasil 2016, que acontecerá em Uberlândia/MG, nos dias 3 e 4 de agosto.

 

Conheça um pouco mais sobre o trabalho de Roberta Züge, finalista do prêmio:

 

 

 

Que atividades está desenvolvendo? Conte um pouco sobre seu trabalho atual.

 

Roberta Zuge: Há mais de uma década tenho me dedicado ao tema da Qualidade. Não somente na questão qualidade de produto, no caso leite, mas de forma mais ampla, o conceito de sistema de qualidade. Nesta premissa, o olhar na produção vai além de questões básicas técnicas do setor do agro. Permeia desde a saúde e segurança do trabalhador, passando por questões ambientais, até chegar à produção em si. Devido a isso, tenho atuado em muitos projetos e diversificados. Atualmente, estou com contrato com um laticínio, para a criação de um sistema de pagamento por qualidade; neste, conseguimos sensibilizar que a adesão ao programa nacional de controle e erradicação da brucelose e tuberculose seja também contemplado, não somente os componentes do leite.

 

No momento, demandando muita dedicação e conhecimento técnico, estou realizando duas consultorias para o MAPA, por meio do IICA, para concepção de projetos executivos e matriz lógica de programas sanitários, o PNCEBT e o de erradicação da Peste Suína Clássica. Além de questões sanitárias, há a necessidade de conhecimentos em formulação de projetos, e desenvoltura para articular com as equipes técnicas e as assessorias, e exige muita capacidade para redação e interpretação.

 

Ainda na cadeia do leite, tenho realizado consultorias para adequação de propriedades rurais às boas práticas e, também, para processos de certificação. Alguns destes trabalhos realizo pelo Sebrae, já que a Ceres Qualidade é empresa credenciada. Importante destas atividades, que elas possuem um fomento, são subsidiadas, especialmente para produtores que teriam dificuldades para realizar a contratação de um profissional para este fim. Assim, conseguimos realizar treinamentos e consultorias atendendo os produtores menos favorecidos tecnologicamente.

 

A criação e validação de programas de qualidade, que exigem a concepção de sistema de controle, rastreabilidade, documentos e registros, tem sido um trabalho bem requisitado, tanto por indústrias quanto por produtores. Também, o estabelecimento dos programas de autocontroles nos sistemas de inspeção, como SIF, Sisbi, etc. Este requer expertise na área veterinária e de gestão, passando fortemente pela segurança de alimentos.

 

Além de contratos mais longos, também realizo muitas palestras e cursos, para técnicos e produtores, focando as boas práticas, qualidade e certificação. Assuntos as vezes cansativos, mas busco fazer de forma lúdica e divertida. Os exemplos engraçados são sempre os marcantes nas palestras.

 

Quais suas principais contribuições para o setor lácteo nos últimos anos?

 

Roberta Zuge: Nestes quase 20 anos de formada, já pude vivenciar algumas fases bem distintas. Uma, quando estava na academia, fazendo mestrado e doutorado, e foquei nas questões de biotecnologia e estresse. Sequencialmente, fiquei no Instituto de Pesquisa, quando pude realizar projetos de P,D&I, e capilarizar o conhecimento no campo. Nesta fase que me aproximei da qualidade e certificação, realizando cursos e treinamentos sobre o tema, inclusive fora do Brasil. Agora, nos últimos anos, sou sócia de uma empresa de consultoria e tenho desenvolvido diversos trabalhos a campo. Sinceramente, não sei quantos treinamentos e palestras já realizei sobre qualidade no agronegócio.

 

Além de pulverizar o conhecimento para vários públicos, desde realizar palestra em salão paroquial de vila rural, até congressos internacionais, nas atividades de consultorias a campo tenho oportunidade de compartilhar a informação técnica, de forma a buscar mais harmonização de conceitos, com foco na produção de qualidade. Sempre discutimos que a qualidade deve sair da propriedade: não se melhora leite na indústria. Para atingirmos o potencial, tão propagado, da produtividade e volume de produção de leite no Brasil, essa premissa, de produzir bem intra-porteira, deve ser um mantra, seguido e repetido.

 

Neste sentido, de garantia da qualidade, os trabalhos de elaboração de normas e requisitos que norteiam os processos de certificação têm sido uma atividade que realizo, praticamente de forma pioneira no Brasil. Há muitas iniciativas que estão sendo realizadas, e os cursos de certificação no leite, realizados pelo MilkPoint, permitiram difundir mais ainda os processos. Importante que muitos técnicos conheçam e possam replicar. Precisamos que a qualidade seja em todas as regiões, não somente concentrada em algumas bacias leiteiras. A ampliação dos mercados, especialmente se buscarmos um cenário internacional, depende de termos volume, constância e garantias da qualidade no leite, oriundos de rebanhos sanitariamente aprovados. Assim, uma melhor homogeneização (positiva, claro) dos rebanhos é uma necessidade urgente. Seguindo este conceito, a aplicação das boas práticas é o início desta jornada, que deve ser traçada no setor leiteiro brasileiro para galgar melhores e maiores mercados.

 

Como a assistência técnica pode contribuir para o desenvolvimento da atividade?

 

Roberta Zuge: Certamente, a assistência técnica é ponto fundamental para o desenvolvimento da produção leiteira brasileira. Muitos produtores são desassistidos neste aspecto. Não possuem condições para arcar com a contratação de um técnico, não estão organizados em associações ou cooperativas, para contratarem conjuntamente e dividirem os custos, e acabam sem ter um profissional os assistindo. Por mais que eles tenham experiência, a pluralidade dentro da propriedade é grande e exige conhecimentos variados. Não há produtor, mesmo que formado no setor agropecuário, que não precise de um especialista em alguma outra área.

 

Infelizmente, muitos produtores passam longos tempos sem uma visita técnica. Algumas organizações mantêm técnicos que visitam seus fornecedores, mas ou em número muito pequeno, ou com um foco maior na comercialização de insumos. Poucas são as instituições (cooperativas, laticínios, etc.,) que possuem uma equipe robusta e multidisciplinar, que possa atender a contento todos os produtores. Há também, em alguns casos, uma certa resistência por parte do produtor. Certas empresas fazem uma cobrança desta assistência, mas, mesmo com valores quase simbólicos, diversos produtores não querem este atendimento, pelos mais variados motivos, desde acharem que é caro, até que realmente já possuem conhecimento suficiente e não precisam de outros técnicos. O que sempre vejo é que, muitos, com grande conhecimento em produção e na cadeia do leite, são os que mais buscam a assistência técnica. Provavelmente, por conhecerem a pluralidade de ações necessárias, reconhecem a necessidade de acrescentar novas técnicas ou uma visão diferenciada do processo. O que transparece que quem mais sabe é quem mais busca este conhecimento especializado.

 

Mesmo se você não votou na primeira fase, você pode participar da segunda etapa de votação, que se estenderá até o dia 15/07 às 09h00.

 

A indicação da 2ª fase é independente da primeira, isto é, a contagem de votos foi zerada, e é você quem indicará novamente o merecedor do prêmio, votando entre os cinco candidatos.

 

Clique aqui para votar. Participe e ajude a valorizar o trabalho técnico no setor!

 

Esse prêmio é uma iniciativa do MilkPoint, mas só foi viabilizado pelo patrocínio Master da Itambé e CCPR.

 

 

 

Última atualização em Ter, 05 de Julho de 2016 09:43
 


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